Twin Peaks no Japão, adaptação de mangá LGBT e o butoh do Frankenstein

A maravilhosa série de David Lynch está comemorando 35 anos e eu, finalmente, comecei a assistir.

Claro que venho ensaiando há muito tempo, por toda a aura cult em torno dela, porque adoro Lynch e porque o filme tem a participação do Bowie (caso ainda não tenha deixado transparecer por aqui, sou bowiemaníca).

Vi quando a série entrou na Mubi (aliás, se quiser um mês grátis é só clicar aqui), mas confesso que deixei para depois e depois e meio que esqueci. Até que o algoritmo me apresentou essa jóia:

Sim, David Lynch dirigiu uma série de quatro episódios comerciais para o Georgia Coffee, do Japão.

Aqui, o agente Cooper (Kyle MacLachlan) ajuda Ken (Takanori Higuchi) a encontrar sua esposa desaparecida.
Eles passam por vários cenários da série, como a delegacia, o posto do Ed e RR Café , além de interagirem com personagens como Lucy, Andy, Hawk, Shelly e a moça do tronco.

A seriezinha deveria ter uma segunda temporada, mas a companhia não gostou do resultado e cancelou a continuação. Infelizmente!

ツイン ピークス 

Pesquisando sobre esse comercial descobri esse vídeo da Entertainment Tonight que mostra a febre causada pela série no Japão.

Twin Peaks já havia sido cancelada, mas ganhava uma legião de fãs no país.
E como para assistir era preciso ter uma assinatura de TV ou alugar na locadora, muitas pessoas entraram na onda sem nem mesmo assistir à série.

Fãs fizeram funerais para Laura Palmer, compraram edições de The Secret Diary of Laura Palmer, viajaram para North Bend (em Washington, onde a série foi gravada), encontraram atores e alguns chegavam a se enrolar em plástico para tirar fotos deitados na praia onde o corpo de Laura foi encontrado!!!!!!

David Lynch

Muita dessa atenção que Twin Peaks teve no Japão aconteceu porque o público já conhecia e admirava o trabalho de David Lynch.

O Homem Elefante havia sido o filme mais assistido no país em 1981 e Lynch se tornou um dos diretores favoritos dos frequentadores de cinemas de arte.

Em 1990, estreou Coração Selvagem. No mesmo período, uma exposição de pinturas e desenhos de Lynch aconteceu em Tóquio com ingressos esgotados.

Em 2012, a Uniqlo lançou uma coleção de camisetas com estampas Eraserhead (1997), A Estrada Perdida (1997), Uma História Real (1999) and Mulholland Drive (2001).


Kyle MacLachlan no SNL

Nada a ver com o Japão, mas segue o monólogo do Kyle MacLachlan no SNL de 1990.

E antes de eu mudar de assunto completamente, fica a dica de seguir ele no Instagram (@kyle_maclachlan), porque ele é divertidíssimo.


Otras cositas más

「10DANCE」

A Netflix divulgou o trailer de 「10DANCE」, que estreia em 18 de Dezembro.

O filme é a adaptação de um mangá de sucesso e mostra dois dançarinos rivais que precisam treinar juntos para desenvolverem suas técnicas. Só que a birra acaba virando amor.

Estou super ansiosa para assistir a um filme LGBT japonês, ainda mais com dois atores que eu gosto muito: Keita Machida e Ryoma Takeuchi.

A direção é do Keishi Otomo, que fez Samurai X. Ou seja, se eu acho as cenas de luta lindíssimas nos filmes do Ruroni Kenshin, tenho grandes expectativas pelas cenas de dança de 「10DANCE」.

Frankenstein dança butoh

Essa é super rapidinha, pretendo falar mais sobre isso um dia, mas não quis deixar passar em branco…

Assisti ao novo filme do Guillermo del Toro, o Frankenstein.

A primeira coisa que me caiu a ficha é que (como no título desse textinho), eu sempre ligo o nome à criatura mas, na verdade, Victor Frankenstein (Oscar Isaac) é o nome do criador, não o personagem do Jacob Elordi.

Mas o que quero falar que a delícia de assistir Del Toro é que eu adoro efeitos práticos e acho maravilhoso saber que aquele mundo fantástico foi realmente construído fisicamente com cada detalhe pensado com cuidado. Chega a ser um alento em tempos de Inteligência Artificial.

E para ajudar a apreciar isso, a Netflix disponibilizou o making of Frankenstein: The Anatomy Lesson além de inúmeros vídeos no Youtube.

Em um desses vídeos, vi que Guillermo del Toro instruiu Elordi a estudar movimentos de butoh e o ator compôs seu personagem com essa inspiração e observando os movimentos de sua cachorra, uma golden.

Sei super pouco do butoh, mas sei que é uma dança que nasceu no pós-guerra e faz parte do movimento de contracultura japonesa.

Segundo o Daniel Aleixo, que é pesquisador da área, “os procedimentos de criação em dança guiados por Hijikata incitavam a destruição do corpo social (Shintai) em direção a um corpo vazio (Karada) que pudesse ser poroso o suficiente para deixar com que a própria necessidade do movimento surgisse a partir da exaustão, da fome, do frio, da excitação, do medo, da raiva, dos sentidos e sentimentos; o chamado corpo de carne (Nikutai). Como disse uma vez, ‘não é um corpo que dança, é um corpo que é dançado‘”.

Acho que faz sentido com o personagem. Eu, com meu olhar leigo, não tinha pescado a inspiração, mas tinha achado os movimentos do Elordi fascinantes.

Já faz um tempo que tenho em interesse em aprender mais sobre essa dança por motivos de Bowie, mas outro dia eu falo mais sobre isso.

A citação do Daniel Aleixo, eu tirei do texto A Origem da Dança Ankoku Butô , no site Japoni da maravilhosa Cacau Ideguchi.

Leave a comment

Design a site like this with WordPress.com
Get started