Esse vai ser o primeiro dos meus posts escritos de uma forma mais livre e com uma pegada muito mais pessoal.
Comecei esse blog para poder jogar na imensidão da internet coisas que descobri e que acho que não interessa a ninguém do meu círculo de amizades… Talvez se eu publicar aqui, alguém perdido pela rede também ache interessante e trocamos uma ideia.
Decidi escrever mais solto, em primeira pessoa e sem a vontade de fazer a maior pesquisa jornalística que eu poderia ter feito porque, as vezes, a pesquisa demora tanto que já estou mais interessada em falar de outra coisa.
Então, aqui começa a minha miscelânea!
Ramen Shop
Reassisti ao filme Lámen Shop (2018) no último dia em que ele esteve disponível no site do Sesc Digital (então, infelizmente, esse post não serve como uma indicação).
Eu já havia assistido há alguns anos, mas achei que toda a temática de busca de raízes e imigração cairiam diferente agora. E eu estava certa.
Além da temática, também me interessei porque estou bem animada com o trabalho do Takumi Saitoh. Eu pesquisei sobre ele depois de assistir ao Explosão do Trem-Bala.
No filme, Saitoh vive Masato, um jovem dono de um restaurante de ramen no Japão. Quando seu pai morre, ele encontra o diário de sua mãe e decide partir para Singapura para entender mais sobre sua família e relembrar as comidas que comeu na infância (Nascido em Singapura, como sua mãe, ele foi para o Japão com 10 anos e nunca havia voltado à sua terra natal).
Masato faz um tour gastronômico guiado por Miki (Seiko Matsuda), uma blogueira que conheceu pela internet. (Olha só como blogs podem ser legais!). Esses passeios são incríveis e misturam imagens urbanas e de pratos super apetitosos com pegada documental.
A viagem também serve para Masato tentar se reconectar com sua família materna (e com os sabores de suas comidas).
Ocupação Japonesa em Singapura
Vou contar um pequeno spoiler do filme, mas é por um bom motivo.
A divisão da família de Masato acontece porque sua avó não aceita que a filha se case com um japonês, devido aos traumas causados pela violenta ocupação japonesa no país.
Para mostrar a dimensão desses traumas, o filme acompanha Masato em uma exposição sobre a ocupação. Lá, ele vê fotos e escuta um relato chocante de como soldados japoneses foram cruéis até mesmo com bebês.
A exposição me pareceu real e fiquei curiosa em saber como conseguiram adequar o cronograma de produção ao período de exibição. Será que houve uma recriação de algumas salas especialmente para o filme?
Fui atrás e descobri que a exposição SURVIVING THE JAPANESE OCCUPATION: WAR AND ITS LEGACIES é real e permanente. Ela acontece em uma antiga fábrica da Ford, local onde os ingleses se renderam ao Japão em 1942.
É possível fazer uma visita virtual no site dos Arquivos Nacionais de Singapura. A história é bem dolorosa, mas conhece-la fortalece a mensagem de reconciliação do filme.
Em entrevista ao site da Biblioteca Nacional de Singapura, o diretor Eric Khoo conta que, após ver a exposição, Takumi Saitoh foi falar com ele emocionado e lamentou que tudo aquilo tivesse acontecido.
Lámen, Ramen, Ramen-Teh
O nome original do filme é Ramen-Teh e se refere à fusão das culinárias do Japão e Singapura promovida por Masato. Ele cria um prato que mistura o macarrão ramen com o bak kut teh, um cozido de costela de porco comum em Singapura e na Malásia.
O cartaz do filme escreve Lámen com L, que eu acho que é forma como o prato começou a ser comercializado por aqui nos famosos pacotinhos de miojo lámen. Acredito que tenha sido porque a leitura da palavra com L é mais próximo da pronúncia correta.
Quando se lê uma palavra japonesa escrita em alfabeto romano, o R não tem som de RA como em rato, e sim como R de camarada, por exemplo. (Para o som de R, é usado o H. Por exemplo, a pronúncia de Hiroshima é Riroshima, não Iroshima)
Então, por favor, falem ramen com R de camarada, ou falem lámen mesmo. rs
Ramen com R de rato é muito feio. (e já vi falarem assim na Globo News…)











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