Como está a representatividade asiática em Hollywood?

Em maio é celebrado o Asian American and Pacific Islander Heritage Month. Em tradução livre, o mês da herança dos API, americanos asiáticos e das Ilhas do Pacífico.

Como o próprio nome diz, é o período de se homenagear as contribuições e influências que os americanos cujas famílias têm origem na Ásia ou nas Ilhas do Pacífico levaram aos Estados Unidos.

Por causa da data, o tema tem aparecido na mídia americana.

Essa semana me deparei com o tweet do programa Late Show que citava uma pesquisa da instituição sem fins lucrativos Leading Asian Americans to Unite for Change (LAAUNCH).

Segundo o estudo, quando pedidos para citar o nome de um proeminente americano asiático, 42% dos entrevistados disseram não conhecer.

Como resposta, um roteirista do programa, Michael Cruz Kayne, criou uma pequena música para dar exemplo de alguns americanos de origem asiática notáveis.

Cruz, que tem origem filipina, listou nomes como Mindy Kaling, Lucy Liu, Tiger Woods, Steve Aoki e Bruno Marz.

Mas temos muito mais asiáticos incríveis nos EUA do que coube na musiquinha! Só para citar alguns dos que admiro Aziz Ansari, Alan Yang, Lulu Wang e a primeira mulher de cor a ganhar o Oscar de Melhor Diretora, Chloe Zhao.

A invisibilidade asiática nos filmes de Hollywood

Mesmo com o sucesso recente de filmes como Parasita, Podres de Ricos e Minari, não podemos dizer que os asiáticos estão sendo bem representados em Hollywood.

Para falar sobre isso, o programa FilmWeek, da rádio pública californiana KPCC trouxe a professora de sociologia Nancy Wang Yuen.

Ela leciona na Biola University in La Mirada e é co-autora de um estudo lançado pela USC Annenberg Inclusion Initiative sobre a presença e forma como os asiáticos e originários das ilhas do Pacífico são retratados em filmes populares.

A pesquisa completa pode ser encontrada em The Prevalence and Portrayal of Asian and Pacific Islanders Across 1,300 Popular Films

Foram analisados 1.300 filmes produzidos entre 2007 e 2019. Desses, apenas 44 possuem um protagonista API, sendo que 14 deles foram estrelados por Dwayne Johnson.

Sim, o The Rock é um API! Sua família vem das Ilhas Samoa, que fica na região da Polinésia, no Oceano Pacífico.

Segundo Yuen, a ausência de produtores, diretores e roteiristas asiáticos por trás das telas, faz com que os personagens asiáticos continuem sendo retratados de forma estereotipada na maioria dos casos.

Eles são tratados como os “eternos estrangeiros”, ridicularizados pelos seus sotaques, as mulheres são hipersexualizadas e 25,3% desses personagens morrem ao final do filme (apenas um não foi de forma violenta).

Essa representação contribui para o preconceito (que foi visivelmente crescente na era Trump). A pesquisa cita que entre 2020 e 2021 foram reportados 6.603 incidentes de discriminação contra asiáticos.

Representatividade asiática no Brasil

Eu, descendente de japoneses, demorei para me enxergar como uma asiática no Brasil.

Adorei quando a Daniele Suzuki apareceu como a Miyuki de Malhação, mas não posso dizer que me senti representada.

Em 2016, a Globo protagonizou um histórico yellowface ao escalar o ator Luis Mello para interpretar um imigrante japonês na novela das seis Sol Nascente. A filha, Alice Tanaka, foi vivida por Giovanna Antonelli. Aos atores japoneses, couberam os papéis secundários.

Na época, o grupo Oriente-se, de atores japoneses, protestou. Me solidarizei com eles, mas confesso que (mesmo noveleira desde pequenininha) não assisti à novela não como protesto, mas por pura falta de interesse.

A primeira vez que me senti representada de verdade, não foi em uma produção brasileira. Mas assistindo à primeira temporada de Master of None. Na série, Dev, o personagem de Aziz Ansari tem origem indiana, mas é nascido e criado nos Estados Unidos.

O episódio Parents, que recupera as dificuldades enfrentadas pelos pais estrangeiros de Dev e de seu amigo Brian, foi o que mais me tocou. Foi a primeira vez que vi alguém como eu, filho de estrangeiros asiáticos, representado na televisão.

Acho que a primeira vez que uma personagem oriental foi protagonista de uma novela brasileira foi em 2017, quando a Ana Hikari viveu a Tina, em Malhação Viva a Diferença. Confesso que me incomodou o fato da mãe dela ser a vilã da novelinha, mas isso não diminuiu o meu amor por essa que considero a melhor temporada de Malhação. (OK, talvez empatada junto com a primeira edição, lá de 1995.)

Não falo por todos os orientais, mas assim como nos EUA, acho que precisamos avançar muito em relação à representatividade asiática por aqui também.

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